Eu preciso de um conto…
Você cortou minhas asas por vontade própria. Podou os meus sonhos e
exerceu a sua função de homem. Foi honesto. “Eu gritaria seu nome por
socorro”… é o que dirías. Quem diría? Um homem privado, seguro, pago
com juros, chamando meu nome, tão baixo… como se fosse pecado.
E eu que nem tive tempo de dizer “adeus”, porque você pegou as minhas
asas recém-abstratas e colocou em seus ombros, então saiu por aí…
Meu coração colado quebrou novamente quando te reviu, me revendo e sabendo: “Não é bem assim…”
Não, meu amor, sei que não é bem assim. Não é porque toda dama-da-noite
merece dormir ao fim da luz da lua. Não é porque estou escutando a voz
dos exilados meados anos sessenta cantando a cidade de Londres em São
Paulo.
Você não entendería, se eu te dissesse: Me abraça…
E nem podería, porque você dorme com ela toda noite, mas ela nunca diz nada.
Porque você olha pra ela toda noite e ela nem encontra uma estrela perdida dentro dos seus olhos.
Porque você acorda, trabalha, me olha e volta pra casa…
depois de ter dito, me olhado de novo, sorrido, pensado, minutos depois, desistido.
E como uma mera observadora de fatos, ou narradora não participante de
atos, te vi chegando em casa, olhando p’ra ela, cantando uma canção de
ninar para uma delicada menina que teve em estado febril durante toda a
noite passada,o que deve ter te ensinado a ser um humano mais surreal
do que você já é.
Antes que seja tarde, me acordo, oro e volto para o trabalho.
E lá, quem diría, te encontro de novo. Você ainda vem, meio tonto, com
aquele medo aparente de perder o que já tem, com aqueles olhos perdidos
onde outros olhos se encontram.
Você não sabe com que cor de roupa eu visto a minha alma…
Você não sabe com que grito mudo eu calo a minha lágrima.
(tempo- desafio , o melhor amigo do trabalho / setembro desse ano) Carole
Publicado em Sem categoria
Comentários